Raminho de Acordeão
De mansinho chega, arrastando a sua arte, com um sorriso de orelha a orelha, com olhos de espanto, como uma criança que chega a meio de uma festa que ainda não é sua.
Senta-se sem dizer ao que vem, abre a arca dos segredos, aconchega o fole contra o peito, abraça o instrumento. Pouco fala, mas as suas primeiras palavras enchem os nossos corações. Traz uma mão cheia de generosidade e só pede em troca um raminho de felicidade.
Abre o fole, prime as teclas e faz ressoar o sonho. Do nada surge o primeiro acorde. Percebemos então que sempre ali esteve, que sempre fez parte. É a base que sustenta as vozes que em uníssono cantam. Troca fragmentos de olhar com a nossa guia, modela as ondas do tempo, amansa as vagas de som, indica o caminho. Um instrumento, uma orquestra, a barca que nos leva, o mágico que preenche os tempos, que improvisa os vazios, que fecha o círculo.
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