Desalento

Enquanto em órbita pairava, o comandante foi tocado pela esperança. Por um longo instante, a fé foi sua irmã, penetrou na sua casa; a humanidade unia-se num propósito comum. Coisa rara, preciosa, única. Saboreou o bom que é ter esperança e a dor do desalento. Quando pousou, mergulhou na realidade, percebeu que afinal os homens continuavam homens, as mulheres seguiam sendo mulheres. Afinal era o medo, a fuga do diabo, a mais básica das reacções humanas quando sentimos o perigo. Logo esquecemos, voltamos a ser quem éramos, os mesmos de sempre, simples animais. A revolução não vingou, morreu na praia. Aceitemos este como o nosso destino, errado é pensar que doutro modo fosse. Ficou a esperança na ciência, no mundo livre, naquilo que conseguem fazer em prol de todos nós.  Resta o desalento.

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