Visita

Partiu como chegou com aquela maravilhosa inocência de quem pensa que sabe tudo, que domina o mundo. Só é assim quem é jovem e está apaixonado pela vida, por tudo o que o rodeia, pelos outros. 
Não veio só, trouxe um pouco do seu mundo para enriquecer um pouco mais este. Gostamos que tragam os amigos, que gostem de partilhar este mundo, até um pouco da nossa loucura, com outros. É bom saber que es

te mundo tem algo de bom para partilhar com outros e sabe bem conhecer, um pouco, do mundo deles. A visita foi curta, um pequeno mas saboroso intervalo na rotina destes dias de verão. Chegaram, acomodaram-se e passaram a fazer parte donde, na realidade, sempre pertenceram. Partilharam o momento, o espaço, a comida, a música, os outros amigos, a alegria de estarmos juntos.
A sensação de vazio, após a partida, é tramada. Não é totalmente real, é uma moínha, porque o outro fica sempre, dalgum modo, connosco. É real, porque o afastamento físico afecta-nos sempre apesar das maravilhas tecnológicas actuais que nos mantêm ligados quase em permanência. O que custa mais é deixarmos de partilhar o mesmo espaço, as pequenas opções diárias, as mais simples das decisões e opções, as risadas. O que custa mais é reconhecermos que partem porque já não precisam de nós para todas as coisas da vida, para decidirem o que vão fazer, para comer, para comprar um bilhete de comboio. Continuamos aqui por mais alguns dias. Reencontramos-nos no final da semana. Hoje, outros amigos, virão nos visitar.

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